domingo, 29 de outubro de 2017

A generosidade do Vinho...




Você deve estar aí falando para si mesmo:

- Ah! Fala sério, agora o vinho é generoso!!!???

Bem........Sim, o vinho é generoso!! (Desculpa! RISOS)
Escrevi algum tempo atrás sobre o quão as pessoas que amam vinho, ficam felizes em compartilhar uma garrafa de vinho, e se você não leu, vou lhe ajudar, é só clicar aqui, mas hoje não é sobre dividir o vinho...Não exatamente pelo menos!! RISOS
Tive o privilégio de participar de uma degustação da vinícola brasileira Aracuri, que fica no Rio Grande do Sul, e esta degustação foi guiada por sua Enóloga Paula Guerra Schenato, e é sobre esta generosidade que escrevo hoje!!
Eu sempre disse que conhecimento que é guardado só para si, pouco serve...Por isso criei a quase 6 anos atrás este blog, porque ciente de que nada sabia sobre vinho, e mais certa deste fato hoje, queria ainda assim, dividir o pouco que sei com quem se interessasse...Descobri por fim, que não era tão pouca gente interessada assim!!
Pois bem, a Paula veio para falar sobre os vinhos, ao todo 7 vinhos que ela conhece profundamente, e
apaixonadamente, pois experimentou a uva no parreiral, definiu a hora de colhê-las, como deveria ser a fermentação, e assim por diante!!
E você acha que ela descreveu cada um e foi embora!?
De forma alguma!!! Ela respondeu cada pergunta feita, explicou cada etapa da vinificação (Só tinha quase Sommelier na mesa, então tudo isso deixa todo mundo feliz!! RISOS), explicou as características que o solo e o clima na região refletem no vinho, mas mais do que isso:

Deu uma aula de generosidade!!

Gente! A Paula é enóloga, ela FAZ o vinho, o enólogo sabe do vinho, mais do que qualquer um...Inegavelmente!!
Mas ela ficou lá por horas, no alto de sua simplicidade, explicando para esta "pobre mortal" que vos escreve, e mais um monte de gente, tudo que podia ensinar naquele tempo, e de forma doce, simples e amorosa...E é aí que está a generosidade!!
O vinho precisa de gente assim: Generosa, que não fica contando que provou isso, ou aquilo, que não ensina os outros, gente grosseira, o vinho precisa de gente que ensine todos a gostarem de vinho, por uma única razão:

O VINHO FAZ BEM PARA O CORAÇÃO!!!




Meu salve para a Paula e para o Vinho Brasileiro!



Luciana Martinez

domingo, 22 de outubro de 2017

Vinhos Orgânicos, Biodinâmicos e Naturais!!!


Já faz algum tempo que tenho observado essa preocupação crescente que as pessoas vem tendo sobre uma alimentação mais saudável.
O VINRISOS já falou sobre o assunto aqui neste blog (Orgânicos) e em nossos vídeos (orgânicos e veganos) , e procuramos estar sempre "antenadas" com tudo que está acontecendo neste universo delicioso que apreciamos tanto.
Participei de uma aula fantástica na última Quinta-Feira, ministrada pela sommelière Irma Ferreira, que aconteceu no Gaia Nutri em São Paulo. Como ela é uma grande conhecedora e consumidora deste mercado dos orgânicos, biodinâmicos e naturais, trouxe informações incríveis e muito valiosas que quero dividir com vocês.
Esse é um assunto longo, cheio de detalhes e como ainda não possuímos uma regulamentação para o mercado dos vinhos, a única maneira de saber as informações daquilo que estamos bebendo é, em muitos casos, pesquisando sobre o produtor, pois nem todos colocam as informações na garrafa.
Os vinhos produzidos de maneira orgânica não adicionam nenhum pesticida nas plantações, o cuidado deles está focado na terra.
Os Biodinâmicos além de possuírem uma produção das uvas de maneira orgânica ainda levam em consideração o calendário lunar para os ciclos das plantas, deixam os animais soltos nas plantações, e se preocupam muitíssimo com essa ligação Homem + Terra + Planeta.
Os vinhos "naturebas", como chamamos, são aqueles isentos de qualquer pesticida e afins, durante TODO o processo da produção do vinho, ou seja, nas plantações, na adega, até o engarrafamento. Esses são mais raros e sua durabilidade também é menor, pois não possuem nenhum conservante.

Os vinhos provados foram 5:



1-) Era dos Ventos /"Natural"/ um vinho laranja de Bento Gonçalves: Frescor, aromas de pêssego, pera, grama cortada.

2-) Kloster Heilsbruck/ Risling/ Vinho alemão produzido de maneira Biodinâmica: Delicioso, aromas de damasco, rezina -  que é tão característica dos Rieslings alemães, acidez marcante com leve açúcar residual e final de boca longo.

3-) Argana/ Malbec/ Argentino Orgânico: Fruta negra bem madura na boca, taninos bem integrados e um ótimo extrato.

4-) Fillo/ Carignan/ Chileno Orgânico: Delicioso, adorei!! Aromas de frutas negras, geléia, terra, couro, na boca é macio, acidez deliciosa.

5-) Km 0 /Chile/ Biodinâmico: Elaborado com três safras distintas 2012, 2013 e 2014 de Cabernet Sauvignon, Carménère e Syrah. Aromas de pimenta em grãos, chocolate, bombom de cereja, na boca traz um frescor muito vivo e um final longo


Enfim, o que mais me tocou foi perceber como existe tanta gente que ao contrário do que muitos vem dizendo, não estão destruindo o planeta e sim se preocupando em arrumar novas e melhores maneiras de um consumo saudável e consciente. Lembrando sempre que fazemos parte de uma grande cadeia que se manifesta em forma de energia e como parte importante desta teia DEVEMOS agir de uma maneira solidária.
ADOREI e realmente me senti mais feliz ao tomar esses vinhos que tem história.




Tim Tim!!


Larissa Moschetta

domingo, 15 de outubro de 2017

Que raio é isso de "Novo Mundo", heim!!??

Que países como Itália, Espanha, França, Alemanha e etc produzem vinhos a muito, muito tempo, isso você sabe, não é!?
Estes países possuem muita história e tradição no mundo do vinho, e se orgulham desta história!
Mas aí, imagino eu, que alguns outros países devem ter olhado para toda essa cultura do vinho e dito:

Por que eu não posso plantar parreiras, e fazer vinho também!? 

E foi neste momento que o mundo do vinho se dividiu em dois:

  • Velho Mundo (França, Itália, Espanha, Alemanha, Grécia, Turquia, Georgia e etc)
  • Novo Mundo (EUA, Canadá, África do Sul, Austrália, Índia, Japão, China, Nova Zelândia, Chile, Argentina, Brasil e etc)

(Amarelo: Velho Mundo / Rosa: Novo Mundo)


Você pode estar aí perguntando se isso faz alguma diferença para o vinho!? ...A resposta é sim!!
A forma de vinificar e o que é chamado pelos franceses como "terroir" (mistura do solo, clima e
etc ), trazem características bastante únicas para os vinhos do Velho e Novo Mundo:

Velho Mundo

- Mais leves
- Elegantes (São considerados!)
- Menos álcool
- Alta acidez
- Menos frutados

Novo Mundo

- Mais encorpados (Sensação de mais pesados na boca)
- Alcoólicos 
- Menor acidez
- Mais frutados

Não existe bom ou ruim, existe sim, formas de apresentar o vinho de forma diferente, e para poder saber o que mais lhe agrada, só tem um jeito...Adivinha!!??

PROVAR MUITO!!




Saúde Sempre!


Luciana Martinez

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Mitos sobre o vinho!!


O mundo do vinho é muito vasto e com isso as criações e suposições espalhadas por aí também o são.
Por isso resolvi escrever esse post para "desanuviarmos" algumas delas.

Sobre o Vinho:

1- Quanto mais velho melhor!!

Falso!! nem todos os vinhos se beneficiam com o tempo. Para ser considerado um vinho de guarda é necessário que tenha sido produzido com esta finalidade e ter um "casamento" muito sólido que equilibre acidez, taninos e álcool.

2- Vinho branco TEM que ser  SEMPRE consumido novo!!

Falso!! Na maioria das vezes essa informação procede. Se você for comprar um vinho no supermercado, ou em uma loja de bairro, sem muitos rótulos especiais escolha os brancos pela idade, quanto mais jovens melhor. Mas existem GRANDES vinhos branco, muito longevos, de produtores renomados e que podem durar 20 anos ou mais.

3- TODO vinho com borbulhas é um Champagne!!

Falso!! Esse é um engano muito comum de se ouvir quando as pessoas pedem um espumante em um restaurante, ou vão descrever um vinho que tomaram. Os vinhos SÓ podem ser denominados Champagne se tiverem sido produzidos na região de Champagne, na França. Caso contrário, são chamados de espumantes.

4 - Vinho tinto com carnes vermelhas e vinho branco com peixes e carnes brancas!!

Falso!! Em Portugal, por exemplo, o bacalhau é tradicionalmente acompanhado de vinho tinto. A cor das carnes não basta para definir o vinho que irá acompanhá-las. O que realmente "manda" na hora de escolher o vinho para acompanhar um prato é a harmonização de sabores, levamos em consideração o molho, temperos, maneira de cocção, etc...

5- Se o Vinho é doce teve adição de açúcar !!

Falso!! Existem vários  tipos de vinhos doces, tais como; late harvest, fortificados,  botritizados.  Nenhum deles tem adição de açúcar. A doçura que sentimos é do açúcar residual da uva, aquele que NÃO foi transformado em álcool.  Os vinhos suaves que vemos nos supermercados, esses sim têm adição de açúcar, por isso não são considerados VINHO FINO DE MESA. Assista nosso vídeo que fala sobre esse assunto (Clique aqui!)!

Bom pessoal, ficam aqui algumas dicas para separarmos os mitos das verdades sobre os vinhos.
Não para por aqui não, tem MUITOS outros mitos que irei desvendar para vocês. Porém, um pouco de cada vez!!.

Tim Tim!!
Larissa Moschetta

domingo, 1 de outubro de 2017

O solo na Serra Gaúcha no Rio Grande do Sul é basáltico...Mas e daí!!??

Você acompanha a gente faz tempo que eu sei, então já sabe que o solo influencia as uvas nos parreirais, e portanto, influencia os vinhos que bebemos!
Em conversa "aqui e ali", descobri que este tema no Brasil não é profundamente conhecido!
Me explico...
Escrevi sobre a história do vinho no Brasil a pouco tempo (Clique aqui!), e como comentei lá, o vinho produzido no Brasil é bem recente, se comparado a países com muito mais tradição do que nós!
Estamos explorando novas regiões para se plantar uvas, e conversando com os enólogos destas regiões, eles afirmam que ou a própria vinícola investe para o estudo do seu solo, ou é necessário ter outras vinícolas na mesma região, para que os órgãos públicos o façam, através de pesquisa de campo da Imbrapa e etc.
Mas e se não conhecem o solo, como eles plantam!?

Simples...Por tentativa e erro!!

Planta-se algumas parreiras que se deseja testar, e assim vão conhecendo o que melhor se adapta a uma região!
Mas na chamada deste "post" eu disse que o solo da região da Serra Gaúcha (Bento Gonçalves e arredores) era predominantemente basáltico, e lá este estudo já esta mais avançado, e o tempo claro, já ajudou a conhecerem as uvas que melhor se adaptaram a região.
Mas e o que isso influencia nos vinhos feitos nesta região!?

Primeiro deixa eu lhe contar que este solo é o resultado do resfriamento de lavas vulcânicas milhares de anos atrás, e é rico em magnésio, ferro, dentre outros, e este mesmo tipo de solo, é encontrado na Lua e também em Marte.


O solo acaba por ser pobre de nutrientes, que é a condição ideal para o crescimento das videiras, pois assim ela tem que buscar estes nutrientes, indo cada vez mais fundo com suas raízes nestas pedras.
Outro papel importante do solo para a videira, é que ele absorve e transfere luz e calor do sol!
Este solo, que faz parte do que no mundo do vinho é chamado "terroir" (Veja o quadro abaixo), influenciam na uva colhida, e por consequência nos aromas e sabores de seu vinho, então quando estiver degustando seu vinho da Serra Gaúcha, lembre-se de buscar por aromas e sabores de ferro, terrosos, até mesmo mineral em alguns casos, e tantos outros ligados a este solo, mas não se esqueça que este é apenas um dos fatores que influenciam o vinho que bebemos...Mas é bem importante, sem dúvida nenhuma!

(Fonte: Revista Adega)




Saúde Sempre!



Luciana Martinez

domingo, 24 de setembro de 2017

Vinhos para o calor matador!

Na verdade estamos apenas no início da Primavera, mas o calor já promete dias mais longos e bem quentes.
Não vou reclamar, pois quem me conhece, sabe que para mim 40 graus é a temperatura ideal para ser feliz... Risos!!
Só tem um probleminha com essas temperaturas tão altas, acabo escutando muita gente dizer que não dá para beber vinho...
Genteeee, dá para beber vinho SEMPRE, principalmente agora, as opções são inúmeras.

Então vamos às sugestões:

Para aqueles que não abrem mão do gelo em suas bebidas, temos os vinhos especiais para esse fim, na garrafa vem indicado "ice", "with ice"ou "piscina".

Que tal um vinho da uva branca Viognier ? Uva típica da região do Rhône - França, porém é plantada em diversos locais do mundo, tais como Chile, Argentina, Africa do Sul, Nova Zelândia, etc...  Produz vinhos aromáticos, com notas florais, de mel e damasco, deliciosa para tomar bem geladinha.

Alvarinho em Portugal - Albarino na Espanha,  é um casta branca muito produzida no norte de Portugal e na Espanha. Uva do vinho verde.  Produz uma bebida aromática, fresca e com uma acidez muito gostosa. Dá sempre para tomar um outro gole.

Torrontés, essa uva tão encontrada nos brancos Argentinos produz vinhos deliciosamente frutados, leves e fáceis de beber. Excelentes para brindar em um dia quente, com amigos.

Sauvignon Blanc, nossa querida uva branca com alta acidez e aromas de frutas brancas e herbáceos bem pronunciados, não poderia faltar nesta nossa festa na piscina.

Riesling, essa é uma uva branca deliciosa e tenho notado muito mais exemplares feitos com ela , nas prateleiras dos supermercados e lojas de vinho. Tem uma mineralidade bem pronunciada, aromas de pedra de isqueiro, frutas brancas e grama. Delicioso para dias bem quentes, sem falar que acompanha muitas refeições, é muito versátil.

Bom pessoal, ficam aqui algumas dicas para NÃO pararmos de beber vinho nem um dia sequer e não podemos esquecer dos drinks produzidos à base de vinho, como Clericó, Aperol Spritz que leva Prosecco, etc...

Desejo à vocês uma Primavera cheia de bons vinhos e assim já vamos "aquecendo os motores" para o Verão que vem por aí...

Tim Tim!!!

Larissa Moschetta

domingo, 17 de setembro de 2017

Você tem ideia como o vinho começou a ser produzido vinho no Brasil!?

A história do vinho brasileiro é um bêbe, se comparado aos países tradicionalmente famosos por seus vinhos, como França, Itália e etc, mas ainda assim merece atenção, porque conta muito sobre nossa história!



Se você acompanha o blog, já me viu escrever sobre o quanto o vinho me ajudou a aprender sobre história, e geografia...Não é obrigatório gostar destes temas para amar os vinhos, mas eu lhe garanto que você naturalmente, acabará buscando por estas informações, porque elas fazem parte do vinho!
Foi o português Brás Cubas, sim "aquele do livro" Memórias Póstumas de Brás Cubas, que de posse de um pedaço de terra no litoral de São Paulo (São Vicente), dado pelo Rei de Portugal, trouxe ao Brasil as primeiras videiras de que se tem notícia, isso em 1532!
Brás Cubas até que tentou cultivar uvas no litoral, mas acabou por desistir, e seguir em direção à serra, para buscar melhores condições, na região que hoje conhecemos como São Paulo!
Os vinhos produzidos nesta região, já com outros produtores incluídos, abasteceram as tabernas, igrejas e as famílias da região, mas...Começou a incomodar os portugueses, que viam nestes produtores, uma concorrência no mercado "deles"!

E o que fizeram!!??

Simples, em 1785 por ordem de Dona María I, a produção de vinho no Brasil foi proibida, restando a região, a compra e consumo apenas dos vinhos vendidos pelos portugueses!
Mesmo com esta limitação, o vinho tinha seu espaço na mesa dos brasileiros, mas foi na época do famoso Napoleão Bonaparte, que durante a guerra acabou "afugentando" a família real portuguesa para o Brasil em 1808, que a presença da monarquia no nosso país, gerou curiosidade sobre as vestimentas, comidas e bebidas consumidas por eles, e a vontade de consumir o mesmo!
Mas foi um novo movimento ocorrido na Europa, agora com a reunificação da Itália e Alemanha, (Final do século XIX) e que deixou as pessoas em completa pobreza, que abriu espaço para uma mudança no Brasil, que deixava nesta mesma época de ser monarquia, para se tornar uma república, e estava carente de mão de obra...Então o que fizeram!?
Convidaram os italianos e alemães a virem para o Brasil, oferecendo terras e a famosa, oportunidade!
Estes imigrantes situados na região do Rio Grande do Sul, por anos produziram vinhos para consumo pessoal e para as cerimônias religiosas, mas com a expansão das estradas e indústria, o vinho acabou por aumentar seu espaço e importância! 
Em 1929 se instala a Sociedade Vinícola Riograndense, trabalhando em cooperativismo na região, para produção de vinho, e seus vinhos foram distribuídos por anos pelo país!
Mas foi por volta de 1950, com auxílio de Getúlio Vargas, que cria a primeira lei do vinho, e o vinho brasileiro ganha mais espaço no Brasil e no exterior.
Como o vinho nacional começou a aparecer na mesa de consumidores de outros países, estes viram potencial no Brasil, e por volta de 1970, várias empresas estrangeiras se estabeleceram por aqui, trazendo consigo, enólogos e a tecnologia disponível na época.

Com a abertura das exportações em 1990, na era Collor, devido a crise vivida na época, muitas empresas estrangeiras saíram do Brasil, abrindo espaço novamente para as vinícolas familiares, e esta história é contada até hoje, através de tantas famílias, que gerações após gerações, fazem do nosso vinho, um motivo de orgulho...Se você não conhece bem, deveria provar e se apaixonar!




Saúde Sempre!


Luciana Martinez