domingo, 16 de outubro de 2016

O Desafio de Paris - Depois deste dia, o vinho não foi mais o mesmo!

O dia 24/Maio/1976 ficará para sempre na história do Mundo do Vinho...Acredite!
Não, você não precisa guardar esta data, mas talvez seja interessante para você que ama o vinho como nós do VINRISOS, saber o que aconteceu nesta data!

O inglês Steven Spurrier, comerciante e também proprietário de uma escola de vinhos em Paris, percebeu que o vinhos americanos da época, estavam com excelente qualidade, e que havia uma boa oportunidade de confrontá-los com os vinhos franceses...Homem ousado!
Aproveitando as festividades do Bicentenário Americano em Paris, decidiu propor a renomados jurados de vinhos franceses da época, uma degustação às cegas em Paris, onde seriam confrontados vinhos com a uva tinta Cabernet Sauvignon da Califórnia, de Bordeaux na França, e também com a uva branca Chardonnay da Califórnia e da Borgonha na França.
Claro! Os franceses aceitaram, já que seria a "batalha" mais fácil de ser ganha no mundo!
E assim, na data escolhida, os mais renomados degustadores de vinho da França, se reuniram para esta degustação às cegas, em que alguns dos muitos vinhos servidos foram o Château Mouton-Rothschild (Tinto de Bordeaux), Stag's Leap (Tinto da Califórnia), Puligny-Montrachet Les Pucelles (Branco da Borgonha) e Chateau Montelena (Branco da Califórnia).
Para a cobertura do evento, apenas a revista TIME, representado pelo Sr. George M. Taber, foi a única a aceitar cobrir o evento, os demais jornais e revistas convidados, se recusaram a participar!
Bem, dada a largada para a degustação, foi iniciado pelos brancos com a uva Chardonnay, e os votos foram divulgados e adivinha!?

O vinho californiano Chateau Montelena 1973 foi escolhido!

Mas foi um alvoroço no hotel onde foi realizado o evento!
Imagina só os franceses, certos da vitória, acabaram eles mesmos votando contra!!??
Mas ainda não tinha acabado...Era a vez do tinto com a uva tinta Cabernet Sauvignon!
Da mesma forma, às cegas, foram servidos os vinhos tintos, e agora não tão seguros, a degustação foi feita, os pontos anotados e divulgados:
Adivinha!?

O vinho californiano Stag's Leap Wine Cellard 1973 foi escolhido!

O mundo do vinho nunca mais foi o mesmo depois deste Desafio de Paris de 1976!
A revista TIME deu a capa de sua revista para este Desafio...Deram um "furo de reportagem"!
Todos foram obrigados a ver os países que chamamos de Novo Mundo, como grandes competidores, e hoje é real o sucesso dos vinhos produzidos na Califórnia e em tantas outras regiões do mundo!
Tá vendo!?
Um pouco de história não faz mal para ninguém, e você ainda pode contar esta história para seus amigos, entre um gole de vinho e outro, não!?





OBS: Se tiver curiosidade sobre este fato da história do vinho, não deixe de assistir o filme ou ler o livro chamado "O Julgamento de Paris", pois conta em detalhes este fato tão interessante...Vale a pena!



Saúde Sempre!

Luciana Martinez




domingo, 9 de outubro de 2016

Por que amo tanto vinho? (Será que precisa de razão?)


Há um tempo atrás a Lu me perguntou "quando" eu senti que o vinho e eu teríamos uma relação eterna, e na época eu fiquei pensando, e não soube dar uma resposta direta à ela. Comecei a estudar e pesquisar sobre o assunto há 13 anos, estava completando 30, tinha meus 2 filhos com 5 e 3 anos, e passava a ter um pouco mais de flexibilidade, podia deixá-los por períodos curtos, sem muito stress e remorso... Risos!!
Mergulhei de cabeça no assunto, e nos apaixonamos! No começo, era aquela coisa maluca de "início de namoro", não podia ficar sem ele, e aceitava qualquer coisa, mas com o passar dos anos, mais madura e experiente, agora escolho melhor, e já posso afirmar, com alguma segurança, minhas preferências!!!
ATENÇÃO!! Não sou fechada para novidades, isso NUNCA, pois acredito que temos que experimentar sempre, mas faço minhas escolhas baseadas na minha história e é claro, na quilometragem de taças...
Hoje, ao conversar com minha avó, Dona Maria Bertão, uma das pessoas MAIS IMPORTANTES na minha vida, descobri a resposta, me encantei com o vinho e sua magia, quando comecei a falar e compreender tudo que ela me contava sobre sua infância, sobre seus 9 irmãos, e seu pai que engarrafava vinho em casa. Eles compravam grandes barris que vinham do sul, e ao chegar em Rio Preto, era uma grande festa em família, para colocar em garrafas de 750 ml.
Enquanto alguns iam colocando a medida EXATA nas garrafas, pois meu bisavô não aceitava erros, os outros filhos faziam uma mistura de breu com parafina, que serviria como lacre, após a colocação das rolhas.
Durante minha infância eu tomava "suco de vinho" ( água, vinho tinto e açúcar), que segundo minha avó: "Não tem problema nenhum as crianças tomarem um pouquinho de vinho, faz até bem..."
Assim sendo tomo vinho há muito mais tempo do que pensava, não dá para não amar, dá?
Hoje, quando percebo o privilégio de ter minha avó ainda viva, e dividindo comigo esses momentos...Me sinto imensamente grata e feliz!
Todas as vezes que bebo com ela, observo seus olhinhos brilharem e ela me dizer: "Ai Lara como eu AMO vinho!!" Eu me vejo daqui a 50 anos!! Bom, assim espero...
E para você que está iniciando um relacionamento com essa bebida dos deuses, espero que seja longo e prazeroso, com certeza será!  E que nós, do VINRISOS, possamos dividir com você nossas impressões e experiências sobre o assunto!



Tim Tim!!!

Larissa Moschetta

domingo, 2 de outubro de 2016

A Região de Hermitage e a Uva Shiraz!


O vinho conta histórias...Um vinho com uma história é mais saboroso, mais prazeroso e delicioso!
Então nada melhor do que contar uma história para você, e na próxima vez que provar um vinho desta região, terá um novo gosto, e você até poderá contar esta história para as pessoas que estarão com você, e essa é a grande magia do vinho:

CONTAR HISTÓRIAS E COMPARTILHAR O VINHO!

Na França há uma minúscula região chamada Hermitage, que é uma sub-região do Rhône. Nesta região, onde a área total não passa de uma colina, se produz um dos mais renomados vinhos do mundo com a uva Shiraz, e que carrega no rótulo o nome Hermitage!
Conta a lenda que havia um cavaleiro que lutou nas cruzadas, e se tornou um herói. No retorno para a França, como estava muito ferido, a Rainha da França lhe ofereceu um lugar nas colinas de uma montanha ao sul do país, para que pudesse se recuperar tranquilamente.
Este cavaleiro passou sua vida nestas colinas, sem nunca sair de lá, então os moradores da região sabiam que o herói da cruzada estava vivendo lá, mas nunca era visto, então começaram a chamá-lo de Eremita**, e assim nasceu a região de Hermitage!

Os vinhos de Hermitage são produzidos com a uva Shiraz, mas ainda produzem vinhos com as uvas brancas chamadas Marsanne e Roussane, e seus vinhos tintos, são um dos mais prestigiados do norte do Rhône, produzindo vinhos potentes, que precisam de muitos anos na garrafa para domar os taninos, e deixá-los agradáveis ao paladar.
Se tiver a chance de provar algum dia, será uma agradável degustação, e não deixe de contar para todos, que um jovem cavaleiro é quem deu nome a essa fantástica região, cheia de lendas e de bons vinhos!


** Aurélio:
Eremita é o indivíduo que evita a convivência social e vive sozinho; ermitão, solitário.




Saúde sempre
Luciana Martinez

domingo, 25 de setembro de 2016

Afinal o que são uvas autóctones?


Como já falamos em alguns posts anteriores, o mundo do vinho tem um vocabulário próprio e aos poucos vamos desvendá-lo por aqui.
Você que já se apaixonou ou está se apaixonando por esse universo maravilhoso e infinito, já deve ter ouvido alguém dizer: "Essa é uma uva autóctone de Portugal!!" ou "Vinho produzido com variedade autóctone da África do Sul." Afinal o que é isso?
Quando uma uva é nativa de uma região, de um país, dizemos que ela é autóctone, ou seja, foi descoberta em determinado local onde mostra se "melhor lado".
Alguns exemplos dessas variedades são a Pinotage (África do Sul), Touriga Nacional e Baga (Portugal), Falanghina - Branca e Aglianico - tinta (Itália), Carignan (França), e por aí afora, são muitas, impossível listar todas aqui, só na Itália, que lidera o grupo, são mais de 300!!!
Mas vocês devem estar se perguntado; "O que tem isso de bom?", " Por que essa informação é interessante ?"
Primeiramente porque é vinho que não acaba mais para provar, ainda bem... Risos !!!
E além disso faz com que possamos sair do "lugar comum" que é sempre provar Cabernet Sauvignon, Merlot, Malbec, Chardonnay, etc...
Com as infinitas opções que chegam até nós atualmente, temos estilos e sabores muito variados e foi-se o tempo onde o vinho era "padronizado", há alguns anos atrás era "moda" vinhos com o mesmo estilo; "É como o consumidor gosta, muita madeira!! ", diziam os "consultores" do mercado e com isso muitos produtores se renderam a essa produção massificada.
Bom, dá para entender né, assim como em qualquer área de trabalho, o vinho é um negócio e DEVE ser lucrativo, mas como tudo que é demais não funciona, nos vemos voltando às raízes e muita coisa boa está sendo produzida sem tanta interferência externa.
Respeitando o local da produção, o estilo do vinicultor e sem sombra de dúvida às características da  cepa que PRECISAM ser valorizadas, por exemplo, nunca será feito um vinho branco da uva Melon de Bourgogne (Vale do Loire - França) que tem características leves, delicadas, parecido com um Chardonnay que pode passar por madeira e traz aromas muito mais marcantes.
Assim como as pessoas são diferentes, o que é belo e bom para um pode parecer estranho para outro e não existe certo nem errado, é tudo uma questão de estilo.
Então fica aqui a dica!! Aventurem-se por novos caminhos, provem coisas diferentes, comparem e avaliem, mesmo os mais tradicionalistas vão acabar agradecendo as boas surpresas que irão aparecer.
Não se esqueçam de dividir conosco suas descobertas !!!



Tim Tim!!!

Larissa Moschetta

domingo, 18 de setembro de 2016

Por que os vinhos na Europa, não possuem o nome da uva no rótulo, heim!?

Estava vendo uma reportagem na TV, a qual falava o nome das regiões francesas produtoras de vinho, sem dar muita ênfase para a uva, e logo me veio a ideia de escrever exatamente sobre isso...A razão dos vinhos franceses não terem em sua maioria, o nome da uva estampado na garrafa!
Imagine que a plantação de uva na França e em outras regiões européias é secular, onde naturalmente e com a ajuda do homem, as uvas foram se adaptando, e tornando-se parte natural da região!
E cada região européia tem também seus pratos típicos, com vários outros produtos comercializados naquela região...E como você sabe, na maior parte da França, Itália e em outros países da Europa, são produzidos vinhos, portanto, a pergunta que rendeu o tema para este "post", tem uma resposta que não é definitiva, mas se me deixar dar um palpite:

A razão é porque as pessoas na França e em outros países da Europa, costumam consumir os vinhos com maior frequência na região onde vivem, consumindo tanto os alimentos, como os vinhos lá produzidos!!





E então imaginando que estou falando de muitos, muitos anos atrás, não havia necessidade, e nem havia o hábito de se colocar a uva no rótulo, porque o vinho seria consumido ali mesmo...Onde era produzido, e o mesmo era perfeito para a culinária local, e isso era tudo que se precisava saber!!
Mas o mundo mudou, hoje o chamado novo mundo do vinho, que compreende os EUA, Austrália, Chile, Argentina, Brasil e etc, plantam uma variedade tão grande de uvas, que acabaram por optar em informar a uva na maioria dos rótulos...Para facilitar a vida!!
E você deve estar aí se perguntando:

- Tá bom! Mas agora o vinho vai para toda parte, por que não colocam!?

Bem...Porque depois de séculos fazendo igual, aí já virou tradição mesmo!!



Saúde sempre!

Luciana Martinez

domingo, 11 de setembro de 2016

Técnicas de degustação, treinando seus sentidos!!


Vamos lá pessoal, hoje vou ajudar vocês a descreverem um vinho que degustarem.
Pode parecer bobagem e vocês devem estar se perguntando: "Para que preciso descrever o que bebi?"
Bom a resposta é simples, para incentivar os seus sentidos e criar um repertório pessoal, é como se você  catalogasse suas preferências e/ou aqueles aromas, sabores e estilos que não te agradam.
O primeiro exercício que fiz quando comecei, há mais de 10 anos, me aventurar pelo universo do vinho, foi cheirar vários recipientes com produtos diferentes, tipo cravo, canela, grãos de café, etc...e o mais interessante, era tudo às cegas, não sabíamos o que estava nos potinhos.
Nesse momento é que você percebe como subvalorizados nosso olfato, perdemos o hábito de "cheirar" o que comemos, aliás somos mal vistos se "colocarmos" o nariz na comida, o que se pensarmos vai na direção inversa dos nossos instintos. Você já viu algum cachorro comendo algo antes de cheirar?
Quando você sente um cheiro sem saber o que é, na maioria das vezes não consegue reconhecê-lo, somente com o tempo, e bastante treino para que possa dar "nome aos bois"...Risos!!
Por isso é importante beber vinhos sempre!! Boa essa desculpa, não?
Mas, mais importante do que bebê-los é anotar, de maneira organizada, aquilo que provar.
Em vários posts anteriores falamos sobre isso e agora passarei um roteiro rápido para vocês.

De forma simplificada sigam esses 4 passos:

1-) Aspecto Visual - Anote a cor (branco, tinto ou rosê)

2-) Aspecto Olfativo - Anote quais aromas sente ao cheirar o vinho (frutas, flores, madeira, especiarias?)

3-) Aspecto degustativo - Ao beber ele é seco ou doce? Tem bolhas ou é tranquilo (Definição dada para vinhos que não possuem bolhas)? Quais novos aromas aparecem?, Se o vinho for tinto como percebeu os taninos (veja nosso vídeo que explica sobre o assunto)?, A acidez era boa? (ver vídeo)

4-) Impressões -  No final anote suas impressões gerais, esse vinho lhe agradou ? Compraria novamente?

Anote sempre e compare como suas impressões sobre o mesmo vinho degustado em momentos, anos diferentes, pode mudar. Com o tempo e a prática, ou seja MUITOS goles, suas opniões evoluem!!
Agora vamos ao treino...




Tim Tim!!!

Larissa Moschetta


domingo, 4 de setembro de 2016

Vou plantar uva lá no quintal de casa!!


De forma artesanal, a gente pode fazer uma série de bebidas em casa, e vinho também não foge a esta regra!
Sim, dá para plantar no quintal de casa uvas viníferas, mas e como será este vinho!?
Bem, se por acaso você é um felizardo que tem como vista da sua janela, lindas parreiras por já viver numa zona vinícola, você é realmente um sortudo, mas para a maioria, plantar uva em casa vai ser uma missão e tanto!
A gente acredita que vinho é fácil de fazer: Colhe a uva, fermenta e engarrafa!
Sim, mas então por que não temos mais plantação de uva e mais vinhos nacionais?
Porque a uva, como toda outra fruta na natureza, precisa de certos solos e climas, para render uma uva de melhor qualidade!
Cada tipo de solo, mesmo com a mesma uva, e até mesmo na mesma região, produzirá vinhos completamente diferentes!
Tive a chance algum tempo atrás de provar vinhos com a uva Chardonnay, em que os vinhedos eram plantados um ao lado do outro, mas o terreno era completamente diferente, e mesmo com uvas colhidas na mesma data, vinificadas da mesma forma, os vinhos eram completamente diferentes...Completamente!
Moramos num país tropical, abençoado por Deus, e bonito por natureza, mas isso não faz boas uvas viníferas em toda parte, não pelo menos, sem muito trabalho no campo, e na vinícola!
As uvas viníferas, me perdoem, precisam sofrer...Me explico! RISOS
Os estudos dizem que o solo tem que ser profundo e com boa drenagem, ou seja, um solo pouco fértil, para que as raízes das parreiras se aprofundem na terra, em busca de água e nutrientes!
E o clima também importa muito!
Se por exemplo, chover na época da colheita, as uvas se encherão de água, e isso fará com que o vinho fique diluído (aguado)!
E se não houver frio a noite e calor durante o dia, a uva não terá boa acidez, e a concentração de taninos, no caso dos tintos, também fica comprometida!
Mas...Caramba! Então não dá para fazer vinho em casa!?
Sim, você pode fazer, mas para garantir boa qualidade, apesar de todo prazer que isso pode lhe dar, talvez seja mais barato ir até uma loja, e comprar uma garrafa...E você ainda poderá provar centenas de vinhos com diferentes uvas, e isso, será um prazer gigantesco: Acredite!




Saúde sempre!

Luciana